Powder Rape - Mulheres na arte

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No dia 2 de outubro tive a oportunidade de estar em Florianópolis e prestigiar o lançamento da videointalação de Juliana Stringhini no espaço O Sítio, um espaço cultural que eu também estava curiosa para conhecer na ilha. E além da videoinstalação Juliana provocou um bate-papo com a professora Ligia Helena Hahn Lüchmann sobre o feminino na arte.

Uma das potências das artes plásticas e artes visuais, ao meu ver, é a subjetividade da obra perante os olhos do espectador. Um quadro, uma videointalação, uma escultura podem suscitar sentimentos, reflexões, opiniões diferentes para cada observador, não tem certo ou errado. A obra se faz quando ela toca o olhar do outro, e este é um dos ofícios da arte.

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Power Rape me provocou nos primeiros 5 minutos uma sensação de angustia, aprisionamento dentro dos ciclos de violências as quais sofremos e/ou nos submetemos. O pó rosa lançado na cara da artista e as diversas reações em suas expressões nas 5 telas em looping me colocou em contato com as repetições de sofrimento que muitas vezes nos entramos e não conseguimos sair. Ciclos de violência e sofrimentos me transpassa o Power rape. Fiquei ali sentada por alguns minutos e quando saí vi outra projeção com uma breve descrição sobre a obra:

“A agressão contra a mulher não assume apenas a forma de violência física. Ela pode ser muito mais sutil, constituindo um estado abrangente e recorrente, um nevoeiro sufocante que nos engole mentalmente e nos cega para os caminhos de fuga. Pode até parecer inofensivo, mas seja qual for a forma, a violência inevitavelmente nos transforma, afetando a nossa perspectiva da sociedade e de nós mesmos de uma maneira fundamentalmente prejudicial".

Numa grande roda formada por sua grande maioria mulheres, fomos provocadas a um grande bate-papo sobre o feminino e as formas de violência. E a importância de falarmos sobre isso nos tempos de hoje, seja através da arte, da saúde, da política. Mas o que mais me chamou a atenção foi a pesquisa sobre as artistas femininas e sua representatividade nos EUA e aqui no Brasil, apenas como um exemplo:

MULHERES NA ARTE nos EUA

51% dos artistas visuais são mulheres

65% a 75% dos estudantes de Fine Arts são mulheres

25% a 35% dos artistas representados em galerias nos EUA e UK são mulheres

5% das obras nos maiores museus dos EUA são feitas por artistas mulheres

U$ 20.000 dólares é a diferença entre o salário anual de um homem e uma mulher na área artística

30% dos maiores museus tem diretoras mulheres


NO BRASIL

No MASP apenas 6% dos artistas do acervo são mulheres

Na Pinacoteca de SP 20% são de artistas mulheres

Em Inhotim 22% das obras são de mulheres

A história da arte no Brasil não poderia ser escrita sem citar nossas artistas importantes: Tarcila do Amaral, Anita Malfatti, Lygia Clark, Lygia Pape, Tomie Ohtake, entre muitas outras…. Mesmo assim há muito espaço a ser conquistado ainda, nas galerias, nos museus, nas ruas, precisamos prestigiar, divulgar, compartilhar as artistas femininas. Um dos outros ofícios da arte é provocar transformação, reflexão, inspiração e nos tempos atuais é imprescindível bebermos da liberdade que a arte nos provoca ao conhecimento.

Power Rape não está mais no Sítio, mas você pode saber um pouco mais do trabalho da Juliana Stringhini pelo site https://julianastringhini.com/

E se quiser conhecer O Sitio fica aqui a dica https://ositio.com.br/

GH

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