Você tem fome de quê?

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Foi com alguma reticência que aceitei o convite para escrever sobre COMER! Me explico: 

  • não sei escrever, como todos perceberão quinzenalmente;

  • não sei cozinhar, me viro na alimentação de combate;

  • e existem centenas de milhares de milhões de pessoas e coletivos dedicando-se a esta atividade.

Mas então o que me impulsionou? Não sei ao certo, mas algo que posso compartilhar com alguma certeza é que o convite gerou em mim a mesma sensação do personagem Antoine Ego do filme Ratatouille, o teletransporte! 

Em meu caso para Pindorama, região rural de Mogi das Cruzes, cinturão verde de São Paulo, porque fui nascido em uma família de origem campesina, imigrantes japoneses e migrantes nordestinos, onde a relação com alimento supera a subsistência, pois sou exposto a perceber os elos da interdependência para que eu possa praticar algo elementar no cotidiano: alimentar-me. 

O que remete a uma inflexão: em tempos de transmissões ao vivo, via mídias sociais ou serviços de streaming foodies, qual significado do alimento, do ato de alimentar-se nos dias atuais?

Agronegócio? Agrotóxico? Orgânico? Agricultura de Floresta? Conhecimento? Simbiose? Encontro? Cultura? Monocultura? Subsistência? Saúde? Estética? Sagrado? Rotina? Prazer? Passatempo? Poder aquisitivo? Exclusividade? Status social? Likes? Seguidores? Patrocínio? Programa de tv?

Seja lá qual for significado, uma coisa é certa, perdemos o entendimento da cadeia de acontecimentos que ocorre para um prato de comida estar a nossa frente minimamente 3 vezes ao dia. VIDA, que passam por vidas, que são transformadas por vidas e alimentam outras vidas. 

Mas o mais chocante é o nosso descaso com os irmãos que sequer alimentam-se, segundo o relatório da ONU de 2017 ( https://nacoesunidas.org/onu-apos-uma-decada-de-queda-fome-volta-a-crescer-no-mundo/amp/) 815 milhões de pessoas passam fome no mundo. 

Por isso deixo a provocação, ao ver um prato de comida na próxima vez: você tem fome de que?

Everton Asao

Instagram @lacalletienehambre_