Parem de nos matar e comecem a nos contratar!

Arte de Rua

Arte de Rua

Na Semana da Mulher do Blog*G Everton Asao dá lugar de fala para ninguém menos que sua irmã: Thaiza Akemi!


“Parem de nos matar - comecem a nos contratar”.

Esta é a frase de Ariel Nobre, homem trans-vivo (como ele gosta de dizer), criador do lindo projeto “Preciso Dizer Que Te Amo”, com quem tive a chance de trocar algumas palavras e posteriormente trabalhar num projeto recente.

Vim aqui pra falar sobre um tema que é muito batido. Que tem sido minha bandeira nos últimos 3 anos e meio que trabalho no Twitter, liderando uma área que conecta criadores de conteúdo a marcas. Mas que nunca havia se apresentado pra mim de maneira tão dura e contundente como no dia 11 de Janeiro deste ano, quando ouvi o Ariel pela primeira vez: a diversidade na comunicação; no ambiente de trabalho; na propaganda; na arte e, por que não, na nossa convivência.

Como profissional que respira conteúdo feito por pessoas reais e que encontra talentos por aí para emprestarem suas vozes a marcas grandes, globais e poderosas, e, acima de tudo, como mulher lésbica, a diversidade nunca foi só uma premissa pra aprovar talentos ou trabalhos. Ela é a minha realidade, uma obrigação social, uma bandeira que não tá em nenhum tecido, está estampada em quem eu sou, no que acredito, na minha alma. 

“Queremos ser autores, e não mais personagens”

Respiro.

Todos os ruídos abaixaram, os barulhos sumiram, sobrou só um sonar bem fino, quase inaudível. Aqueles momentos mágicos da vida, embora simples, dos quais a gente não se esquece mais. Lembrei de toda a representatividade que busquei trazer nos projetos: mulheres, negras, negros, queers, homossexuais, nordestinos…e busquei uma imagem guardada lá no cantinho do cérebro, uma aérea. Do set. Da bancada de onde eu trabalho. Da equipe de filmagem. Da agência de publicidade envolvida. Do cliente tomador de decisões. Homens, brancos, heterossexuais. Mulheres, brancas, privilegiadas. Outro sonar, desta vez mais alto, mais estridente, ensurdecedor, incômodo.

Paro.

“Mais do que personagens de documentário, somos documentaristas”.


Começa aí, gente bonita, uma missão de vida. Iniciei aqui um texto que era pra ser voltado ao meu lado profissional, sempre ambicioso em perceber sentido às 8~10 diárias horas que passo trabalhando. Contudo, tal qual minha trajetória de vida foi mudando, a deste texto também. Tracei um norte. Estou sentada numa cadeira escandalosamente privilegiada, numa empresa global, gigante, que me dá liberdade e autonomia para aplicar os princípios que acredito (desde que não firam outras pessoas e seus próprios). Se diversidade é um tema tão importante pra mim, por que não aplicá-la em todo o seu significado?

Ariéis, Paulos, Luccas, Danieles, Camilas, Josefas, Marluces, Brunas e tantas outras pessoas que me foram tão generosas com suas histórias: bem vindas à magica da construção de narrativa. Porque como também disse o Ariel, 

“quem constroi a narrativa, constrói a vida”.

Subscrevo!

Thaiza Akemi @thaizaakemi


Thaiza Akemi

Thaiza Akemi

Sou @thaizaakemi, irmã do Everton (que conheço como Té, que escreve aqui) e tenho 30 anos. Sou lésbica, mãe de 3 cachorros.

Prefiro fritura a açúcar, tenho uma memória horrível (exceto pra letras de músicas) e bebo menos água do que deveria. Esta é uma das resoluções deste ano.