Os caminhantes

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As manhãs de domingo, às vezes servem para um café bem passado, um olhar pela janela e a contemplação de alguns pássaros juntos indo para algum lugar. No fundo Vinicius canta: “… A vida não é brincadeira, amigo. A vida é arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida”. A inspiração muitas vezes vem assim, nessas horinhas de descuido.

Na semana que se falou em Dia do Amigo nas redes sociais, recebi alguns recadinhos e vi várias declarações. Pensei: os amigos fazem parte da ata da nossa vida, da nossa biografia, da nossa caminhada. Tanto os amigos de longa data como os mais recentes e breves. Encontrar amigos é com certeza a arte do encontro, da construção de um laço de muitas cumplicidades e de momentos importantes da vida. 

Mas seria só do encontro? Mais um gole do café e me veio vindo a mente alguns amigos que desencontrei. Que belos encontros e desencontros!!! Mesmo dentro dos desenlaces mais doloridos que esta bifurcação de caminho nos proporciona, há uma reflexão sobre o que trouxemos um para o outro. Senão houver reflexão nem as gargalhadas valeram a pena. E atravessando momentos difíceis destes desencontros é que percebo o pior e o melhor de mim.

Confesso que tenho dificuldade de me desapegar de algumas amizades que já se foram, mas a segunda xícara de café me traz a história de quem se mantém nesta caminhada até agora: uma longa e fiel amizade de trinta anos, outras tantas de vinte e poucos anos, algumas de dez anos e as que acabaram de chegar com mala, cuia e amor. Ou seja, as décadas, cada trecho da caminhada, te presenteia com idas e vindas, e temos que lidar com o amor de quem fica e o desapego e aprendizado de quem vai. 

Dos desencontros agradeço a todos, as realizações, as decepções e aprendizado do desapego. Dos encontros me embebedo neste prazer de energia saltitante, que faz minha mente andarilhar pelas alamedas em flor. Vida que segue!! Entender os diversos fluxos que a vida nos proporciona. Esta caminhada é um estado de transição constante e o mais coerente é observá-la e deixar ela nos viver, e com isso alguns dos nossos companheiros mudarão seus caminhos e os nossos, assim como aqueles passarinhos que pareciam ir juntos para um mesmo voo e alguns mudaram a rota. 

Gaby Haviaras