Limites e Educação

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Uma leitora assídua do Blog solicitou para falar sobre limites na educação dos nossos filhos, então vamos lá!

Há muitos anos atrás ganhei de presente de uma  paciente um livro de Tania Zagury, que foi escrito em 1991 e se chamava “Sem Padecer no Paraíso: Em defesa dos pais ou Sobre a tirania dos Filhos”. Procurei em casa e não mais achei o livro. Nesta época tinha filhos e sobrinhos adolescentes, mas eles não nos incomodavam, porque eram de outra geração e criados com limites. Em princípio me assustei com o título, mas no desenrolar do processo, ao ler aquelas páginas entendi o que ela falava.

Sempre penso que educamos nossos filhos baseados em nossos conhecimentos adquiridos em nossa construção de personalidade desde a infância. Repetimos algumas coisas que foram importantes para nosso crescimento e desconsideramos algumas coisas que não concordamos, adaptamos coisas apropriadas ao mundo de hoje, que foram completamente diferente da nossa juventude. Por exemplo, hoje em dia não podemos deixar nossos filhos brincarem nas ruas sozinhos, irem para escola de pé sozinhos, andarem na madrugada depois das festas sozinhos!!! Estes tempos muitos de nós vivemos.

Depois vieram os especialistas em Pedagogia e Psicologia que acabaram dando um nó na cabeça de muitas gerações. As mudanças eram muito profundas e a lacuna enorme, o que levou a questionamentos por parte dos educadores e gerou dúvidas sobre educar sem culpa, ao tentarem impor limites aos filhos.

Hoje temos uma nova informação que veio nos ajudar nestes relacionamentos que é a Constelação Familiar. Uma abordagem terapeutica que fala da hierarquia das famílias, do papel de mãe e pai, como líderes de um grupo.  A conquista da relação baseada nesta hierarquia e no respeito mútuo entre seus componentes baseado no diálogo e na franqueza. Mas acima de tudo entendendo que somos nós pais que estamos no comando desta nau, e por isso devemos exercer nossa autoridade, para que não ocorra uma inversão de comandos, que Tania menciona em seu livro, o autoritarismo do filho sobre os pais.

Alguns pais se sentem obrigados a aceitar as condições de seus filhos. Esse sentimento contraditório, numa sociedade marcada por tantas diferenças causa um movimento errado: a perda de limites e inversões de papéis dentro de um sistema familiar.

A informação chega muito mais rápido hoje para nossos filhos. Informações nem sempre corretas e verdadeiras, que confundem suas cabecinhas.

Educar é assumir a responsabilidade de dar limites, passar suas verdades e qualidades, compartilhar oportunidades de crescimento para toda a família. A diversidade está aí, e cada um educa conforme aprende e acha correto fazer. O problema é que os pais do amigo permitem coisas que você não permite e isso causa revolta em seu filho. Para não desagradar e causar conflito você cede. Mas é o conflito que vai fazer ele crescer. A frustração é que vai ajudar a subir os degraus, quando estiver frente as dificuldades. Temos que tomar conta dos conflitos para eles não tomem conta de nossos  filhos.

Falo que ao sentir limites a criança se sente segura, pois sabe que tem alguém que cuida e se preocupa com ela. Não é um autômato que faz tudo sozinho sem leme. O limite faz ela perceber que tem alguém mais forte, que sabe e tem segurança no que faz. Alguém que comanda a nau desvairada desta sociedade moderna, que se afunda nos celulares em detrimento dos olhares .

Os pais tem que revelar as crianças, suas vontades, desejos, insatisfações, alegrias e tristezas direitos como as crianças fazem com eles. Sem medo de não serem amados por isso. Essas atitudes estreitam os laços e humanizam as relações entre pais e filhos. Não somos super heróis, somos só pais que educam com o coração e a razão em busca do melhor para este sistema.

Algumas orientações ficaram na cabeça das pessoas, que determinaram que as crianças é que comandam os adultos, determinando seus horários, o que devem comer, que horas dormir. O medo de errar e não ser um bom pai é o elemento fundamental de colocar em prática todas estas tarefas liberais, torna , por incrível que pareça, mais difícil o ato de educar. A recomendação é que escutemos o que nossos filhos tem para nos dizer e discutamos o que é ou não possível fazer. Diálogo, conversas e esclarecimentos! Precisamos manter nossos preceitos, pois na inconstância de nossas ações nossos  filhos estarão sempre nos testando!!!!

Somente com o respeito de ambas as partes é que poderemos construir uma relação equilibrada, saudável e verdadeira.

Hayde Haviaras

Instagram @hayde.haviaras