Ditadura, Nunca Mais!

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O dia 31 de Março ficou marcado pra sempre como uma data de horror, tortura e vergonha pra um país, que com muita luta, conseguiu se libertar dos horrores da ditadura, da censura e das mortes de quem ousou lutar contra esse período. Mas o quê uma TRAVESTI tem para falar sobre esse período sombrio?

Muita Coisa!

acervo

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Primeiro, minhas antecessoras viveram e muitas foram mortas, abusadas e perseguidas nesse período (muito menos noticiado que nos dias de hoje, óbvio) exatamente pela conquista de DIREITOS e LIBERDADES de EXPRESSÃO, GÊNERO e ORIENTAÇÃO SEXUAL. Hoje ainda somos “mortas” por esse ranço de uma sociedade que não aceita o diferente, do que foge aos padrões e domínios deles. Um misto de falso moralismo de uma sociedade que não se sustenta em seus “falsos pilares” de doutrinações religiosas retrógradas (e também ditadora, muitas vezes). Vivemos nos dias de hoje, sombras e fantasmas do que fomes em 1964. Não por causa de um capitão, mas sim, por causa de parte da população que quer esse tipo de “líder” (para se sentirem mais confortáveis em sua redoma da hipocrisia).

Travestis e pessoas transexuais sempre foram, são e serão uma pedra no sapato desse destas pessoas. Principalmente por que ousamos questionar a BIOLOGIA e FANATISMOS RELIGIOSOS, sim. Ousamos não nos identificar somente com a definição “médica” de macho e fêmea, menino ou menina, e isso Incomoda muita gente de “bem”. Essa mesma gente de bem que, na surdina cobiçava e usava (e ainda usam nossos corpos por fetiche), mas depois querem  silenciar nossas vozes, identidades e existências. Mas lamento Informar se ainda existimos e resistimos é porque confrontaremos sempre essas DITADURAS que ousam mandar em nossos corpos, nossa forma de amar e ver a vida.

A ditadura é o contraponto da liberdade, de ver as cores do mundo, das artes, do amor ao próximo. A ditadura se limita a uma paleta de cores de tons sombrios, de cores de guerra, cinza com exceção do sangue vermelho derramado de quem ousa contrariar suas normas. Basta pesquisar.

Nós, pessoas trans, segundo minhas antecessoras, só saíamos nas noites para “guetos” e locais onde esses mesmos ditadores buscavam saciar seus fetiches, as que precisavam “ganhar a vida” se prostituindo, viviam sendo perseguidas, torturadas e mortas e ninguém ficava “sabendo”. Hoje temos evolução, informação e pesquisas que evidenciam que não SOMOS DOENTES, que não somos aberrações. Muitas de nós teve que ir para outros países tentar a vida como artistas, pois só assim, éramos respeitadas. Mas trabalho aqui mesmo, só com o fim desse inferno e ainda assim, enfrentamos sequelas desse período nefasto de falta de liberdade de SER e EXISTIR, PENSAR e de TRANSGREDIR até os dias de hoje.

Mas Sinto Informar: NÃO VÃO NOS CALAR! Existimos e SEMPRE EXISTIREMOS, e não existe DITADURA GAY! A Única DITADURA, foi a de 64. E pra essa ,nós pessoas trans, mulheres feministas, artistas livres e pessoas humanitárias, não VAMOS VOLTAR, pois dessa ÉPOCA, só temos VERGONHA!

Andréa Brazil

Travesti, Trans ativista e Trans feminista, com muito ORGULHO!

Instagram @andreabraziltrans


Compartilho com vocês o artigo da ANTRA - Associação nacional de Travestis e Transexuais que escreveu um artigo sobre os LGBTs perseguidos durante a ditadura:

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Travestis, homossexuais e outras pessoas vistas como pervertidas eram alvo de perseguições, detenções arbitrárias, expurgos de cargos públicos, censura e outras formas de violência; vistas como pessoas indesejáveis eram caçadas e assassinadas. Há muitos relatos da Comissão Nacional da Verdade que deixam isso bem claro. (Por isso não querem que exista comissão da verdade nesta intervenção).

"O governo autoritário na época (que não difere muito de alguns atuais representantes políticos) tinha um ideal de povo, claro, ordenado por uma ideologia cristã de família e moral.

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