Cédula do futuro

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Com os últimos acontecimentos da semana no cenário eleitoral do Brasil sentei para fazer uma pesquisa entre meus amigos e familiares sobre seus votos. Não me interessava especificamente o candidato que eles irão votar, mas sim como fazem a escolha do voto e quais são, como cidadãos, seus anseios para o país e suas famílias.

Na maioria das conversas me deparei com discursos do contra: “Não voto porque sou contra tal coisa”, “Ainda não tenho candidato, mas sou contra este pensamento”, “Estes não valem nada, porque são contra o que penso”.

Começar a escolher um candidato por exclusão, pode ser um caminho. Exemplo: “Eu não voto em tal partido pois não concordo com o que fizeram ou com a sua ideologia de governo”. É um primeiro passo para observar suas escolhas. Mas isso não pode virar uma obsessão do seu discurso e todas as outras justificativas se basearem nisso. A força do discurso vira para o que “eu não quero” e o raciocínio segue por exclusão, e não por inclusão. Esta campanha está sendo conduzida neste discurso, a força de um contra o outro. E a energia do contra não leva a nada.

Não podemos dar o voto porque somos só contra algo, mas sim porque somos a favor de algo. Temos algumas eleições votando no “contra” e não a favor. Há quantas eleições estamos votando por opções? Creio que a maioria de nós está há muito tempo votando na “falta de escolha”, infelizmente.

É preciso votar pra frente. E preciso votar no que “eu quero” aí é que acho que temos que ter o olhar crítico sobre os planos de governos para cada candidato. O que eu quero para o país? O que eu quero para a educação? O que eu quero para a saúde? O que eu quero para a cultura? O que eu quero para a economia? O que eu quero para a segurança? É preciso antes de tudo justificar seu voto para você mesmo. Pois o que eu quero para o mundo se alinha com o meu voto e, consequentemente, com o meu discurso como cidadão - e mais do que discurso, prática como cidadão.

Tenho acompanhado os debates e uma coisa que me salta aos olhos, na maioria das entrevistas e debates, e todos os candidatos têm pautado seus discursos em acusações e julgamentos: “tal governo não fez”, “eles falharam”, “aquele roubou”, “a fulana nunca fez tal coisa”. Raramente nos debates tenho visto propostas claras e viáveis dos planos dos governos para o momento que estamos no país. Estamos sendo bombardeados numa campanha de julgamentos e condenação. É uma energia que os discursos estão minando a todos.

Estamos no meio desta massa de manobra de todos estes que governam e informam e um mar de fake news. Mas fazer uma reflexão como cidadão neste momento deve ser um caminho para se distanciar de toda e qualquer influência e repensar esta decisão num momento tão difícil para todos nós no Brasil. Numa eleição que vamos votar em vereadores, senadores, governadores e presidentes, temos muita responsabilidade nas nossas mãos. Afinal, somos um Brasil com muitas crianças que colherão estes frutos.

Vote em quem você quiser votar, mas justifique antes o seu voto para você mesmo. Porque “voto contra” ou “quero ver o circo pegar fogo” pode ser um grande tiro no pé.

 Gaby Haviaras