Corpo Meu Mando Eu

 Por Walmor de Oliveira

Por Walmor de Oliveira

Quando encontrei o projeto do Walmor, fiquei encantada com as fotos e tocada com os depoimentos. E pensei: e eu me criticando por coisas pequenas ao lado de tantas histórias de superação, doenças, violências! O que eu tenho para depor sobre assunto tão profundo e latente nos dias de hoje?

Primeiro agradecer ao universo e minha criação por não ter sofrido nenhum tipo de violência quando criança. Mas ao parar para pensar, muitas vezes somos nós mesmas que nos violentamos quando aceitamos determinados padrões, comportamentos, relacionamentos, regras impostas. Há um movimento lindo regido pela palavra “empoderamento” em contra partida da loucura que vivemos impostas pelos padrões físicos e morais que nos mulheres devemos cumprir.

Uma sociedade que tem cobrado da mulher, a perfeição, a beleza, o enquadramento nos machismos ditatoriais, bem sucedida, eficiente, sexualmente ativa e sedutora, que se alimenta fit.... é uma prisão. Mulheres que se submetem o tempo todo a medicamentos e procedimentos atrás de uma “saúde perfeita” é violência. As que abandonam seus desejos, sonhos, propósitos porque alguém falou: “você deve fazer isso, por que você é mulher” .... é abandono de si mesma.

Eu escolhi uma profissão que impõe muitos padrões e regras, às vezes eles até mudam com a época, mas mesmo assim você sempre terá que se encaixar para trabalhar. Tenho uma lista de ofensas ao longo dos meus anos de trabalho: “seu ombro é largo demais”, “você tem uma beleza excessiva para o personagem”, “1,73? O ator é mais baixo que você não dá”, “Seu rosto não combina com seu corpo, achei que você era mais longilínea e magra”, “se você perdesse uns 15kg ia ser perfeito”, “Não trabalho com gente bonita, trabalho com diva e você não tem este perfil”.  Isso não é um tipo de violência?

Estas frases foram ditas tanto por homens como por mulheres. Me pergunta como não desisti ainda? Talvez por que tenha encontrado algumas pessoas e lugares que me valorizassem pelo que tenho como material de trabalho e muita ajuda para superar  frustrações.

Sempre se achar desencaixada, não pertencendo, inadequada são sentimentos que estão na gente, mas o olhar de fora que provoca isso. É preciso estar atenta, olhos abertos, alma rasgante, que enverga, mas não quebra. Nossa liberdade está nascida em nosso ventre, na força ....

GH

 

Link do projeto 

Instagram https://www.instagram.com/corpomeumandoeu/

Blog http://corpomeumandoeu.com.br/