FEMININO, Fonte de Poder!

blog da gaby

Tem alguns assuntos que ficam latentes antes de vir para crônica. É importante deixá-los maturar, fermentar. Tenho assistido alguns documentários sobre as mulheres na Índia, no Iran e em diversos lugares do mundo. Assistimos a pouco, o estupro coletivo disponível na rede social mais próxima de você. Alguém assiste, diariamente, uma mulher ser estuprada a cada onze minutos. Surpreendo-me com a paupérrima transformação do pensamento machista sobre estas grandes guerreiras: as mulheres.

Ainda há situações em que a mulher é submetida e reprimida sobre seus direitos e deveres, que se comparado a Idade da Pedra, o homem Neandertal era carinhoso. Centenas e milhares de mulheres na Índia sofrem de ataques de ácido nas ruas, por homens arcaicos que não sabem que elas não são suas propriedades. Estão indo para as ruas reivindicar. O bebê se for menina, a mãe tem que jogar a criança fora, porque não são valorizadas. Estão fugindo para terem suas filhas. Ainda se apedrejam mulheres em praças públicas. O Mundo patriarcal e machista que pouco se transformaram.

Mas não precisamos ir ao outro lado do mundo, aqui mesmo na esquina da sua rua, na funcionária que trabalha ao seu lado, a filha da sua amiga, também tem muitas histórias para contar de atrocidades com mulheres. E são muitas histórias desde as mais estupidas como um ácido que pode matar, como as mais simples e diárias, que correm lentamente como as traições e desrespeitos. A violência física, psicológica e ideológica. E ainda há as mulheres que permanecem presas neste cárcere do patriarcado e possuem o olhar machista sobre o mundo. Delas ainda escutamos: “ah mas ela é menina fácil, fica provocando”!

Esses dias uma amiga falando sobre o rompimento de sua relação onde ela já estava farta de violência psicológica: “Eu coloquei ele pra fora de casa, pois quem construiu esta casa fui eu e ele não tem um centavo lá. Mandei embora, eu agora tenho que continuar transformando a minha vida”. Há um poder transformador na mão do feminino que o masculino sabe que não tem poder para entender, quiçá controlar. É o poder das águas, da gestação, da vida, do amor incondicional, da conexão com o cosmos, da leitura dos dias e das noites, das que levam a árdua rotina com poesia, amor, dor e transformação.

Historicamente foi a sociedade que roubou da mulher o direito de ir e vir exaltando somente suas funções animais e maternas:  não foi a natureza que o fez. Tem uma frase de Simone de Beauvoir que gosto muito: "O homem é definido como ser humano e a mulher é definida como fêmea. Quando ela comporta-se como um ser humano ela é acusada de imitar o macho”. Desde de que o mundo é mundo, as mães foram as primeiras a tomar o caminho do trabalho, cuidar dos filhos, dos afazeres domésticos, esperar o marido e assim começou a caminhar a humanidade.

Na mitologia grega, Pandora é a primeira mulher a ser criada pelas mãos de Hefesto e Atena e seu nome quer dizer: “a que tudo dá, a que possui tudo, a que tudo tira”. É poder, muito poder que há no feminino e isso assusta, descontrola, inebria e revolta.

Há tantas mulheres que transformam e transformaram o mundo: politicamente, historicamente, na literatura, nas ciências, nas artes e poucas que conseguiram destaque. Mulheres transformam diariamente o meio onde vivem, seus trabalhos, suas casas e família. As que conseguem que suas histórias sejam contadas nos ajudam a levantar a bandeira do respeito sobre todos os dias em vivemos, e que fazemos da nossa vida linda, uma obra.

 “Mulher é desdobrável”, nós somos!!!

CrônicaGaby Haviaras