Novela à Brasileira

blog da gaby

Há duas semanas sento na frente desta folha branca e escassez de poesia me invade. O que paira é a temática “política”, pobre e sínica. Me recuso a falar de política e seus discursos cheios de vazios. A política emerge nos noticiários, mata a poesia, a feição pelo próximo. Há mais sujeiras nas gravatas e nos jornais do que em gramacho. A política não está poética, não é criativa, não germina, não soma, não politiza, não educa! Pelo menos esta que hoje dá as caras nas manchetes e arregaça o dia a dia do cidadão com falta de opção.

Meu voto não vai para cor nenhuma das bandeiras estampadas de interesses umbilicais. Não voto nem no boi garantido nem no boi caprichoso, nem para o amarelo, nem para o verde! Meu voto vai para liberdade, onde está que ninguém viu? Onde está a liberdade de opinar, de escolher, de pensar e de ser respeitado pelas suas escolhas. Onde está a educação que deveria nos ensinar que somos livres? E que há a liberdade de ter outra opinião?

Em tempos de palavras ao vento nas redes sociais, onde há uma “falsa liberdade” de falar sobre tudo, as pessoas estão se estapeando aos verbos para defender este ou aquele. Defendem ferrenhamente sua realidade insólita, seu pequeno mundinho e umbigo e impõe suas escolhas. Mal educadamente discutem com conhecidos e desconhecidos, cheios de razão que sua própria realidade desconhece. Não leem sobre o que mesmo crucificam. Apenas a segregação por ela mesma, alimentada por manchetes sensacionalistas.

Acompanhamos a verdadeira novela brasileira, com cenas dos próximos capítulos e a audiência torcendo pelo personagem. E o que dá audiência na novela? Confusão, barraco, mentira, racismo, estupro, julgamentos manipulados, assassinato de jovens negros em comunidades, áudios vazando em datas estratégicas. Barbárie, que você pode encontrar em qualquer esquina ou comentário ignorante nas suas redes sociais, alimentada pelos gritos de “tem que ser assim mesmo”, “a culpa é dela”!

Para ser livres precisamos de educação, asas, muita coragem, responsabilidade e respeito, respeito, respeito. Precisamos do olhar distanciado sobre a nossa realidade, simples e individual, para podermos respeitar a realidade do outro. Precisamos de mais leitura e menos televisão, mais fé em orações de amor do que nas palavras da bíblia maquiadas de religião.

A falta de liberdade não é democrática. A falta de liberdade nos obriga ir às urnas e votar na nossa “falta de opção”, no “que resta”, no “favor”, no voto útil. E se não formos as urnas somos punidos e proibidos de diversos “direitos”, é a democracia da obrigação. Onde está a liberdade? Questione?

A falta de liberdade proíbe a publicação artigos de jornalistas sensatos, compra votos e capa de revista, rouba, boicota, cega, manipula, mente, proíbe pensar, se vende como verdade, passa na rua abanando bandeira toda maquiada enquanto o estômago do país ronca de verde amarelo. E no amago questões que esta pobre política está longe de resolver, está em coma. A falta de liberdade alimenta por sonda o sistema político que está na UTI do SUS da comunidade ribeirinha do Rio Amazonas.

“ Ela é tão livre que um dia será presa.
- Presa por quê?
- Por excesso de liberdade.
- Mas essa liberdade é inocente?
- É. Até mesmo ingênua.
- Então por que a prisão?
- Porque a liberdade ofende.”

CrônicaGaby Haviaras