A difícil tarefa do NÃO!

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Não! Palavra tão pequena, tão simples e tão poderosa. Que, em determinada situação, pode até querer dizer sim. Arriscaria dizer que na maioria das vezes. Resolvi me debruçar sobre esta reflexão por conta de uma coleção de nãos que ganhei esta semana. Parei e pensei, por que tanto não? O que fazemos com tantas negativas? Como administramos as frustrações, desde as diárias até as de toda uma vida?

Estas respostas vão longe e, variando os pontos de vista e filosofias, podem ir mais longe ainda. Mas há um caminho que ajuda a retirar os ‘nãos’ diários: quebrando padrões do nosso comportamento mental. Tarefa árdua, sem dúvida. Os nãos podem te mover para direções positivas.

Já notaram que há pessoas que começam uma frase com não? Outras, que antes de ouvir uma sugestão, já estão abanando a cabeça de um lado para o outro? Há uma negatividade reativa da nossa pisque que é instantânea. E aí que esta o grande desafio de transformar o não em sim. Ou, em talvez. Abrir os ouvidos e se auto observar, o que é um grande exercício.

Há também, nas categorias dos ‘nãos’, a dificuldade de dizê-lo. Eu, durante muito tempo, não sabia dizer não às pessoas. Ainda é um grande exercício diário. Dizer não a alguém era um martírio. Mas, quando descobri que dizendo sim para os outros o tempo todo estava me dizendo não o tempo todo, aí uma chave virou! Comecei a parar de me negar.

Nos excessivos ‘sins’ que nos obrigamos a dizer por muitos motivos, deixamos de ajudar e aprender com os ‘nãos’. Pois podem não ser um conceito de negatividade e, sim, uma possibilidade para algo diferente, uma reflexão, um novo lugar. Para alguém que sempre ajudamos, por exemplo, o eterno sim pode impedi-lo de crescer. Dizer sim o tempo todo para todos os nossos desejos é uma forma de “mal criá-los” e ter futuros hábitos não saudáveis.

Há vários momentos em que a vida nos diz só ‘nãos’. Nesta semana um grande amigo disse não à vida. Uma escolha, sim! Talvez uma escolha por não ter conseguido lidar com tantos nãos que a vida estava lhe oferecendo. Muitas vezes traçamos caminhos, mas os que foram traçados para nós podem ser muito diferentes e, aí, nos deparamos com os ‘nãos’. Para lidar com eles, precisamos de boas doses de conversas, entendimentos, ajudas, fé, tempos, estar só, colos, choros, cafunés, amigos. E, nesta limpeza de padrões e mudanças de rotas, começam a aparecer os ‘sins’ tão diferentes dos esperados.

Numa palestra que assisti do Sri Prem Baba, lembro-me de uma das passagens em que ele fala do nosso apego pela negatividade:

“É muito difícil para a entidade humana em evolução conseguir aceitar que ela tem prazer no sofrimento e que, no mais profundo, existe uma intenção deliberada de se manter ligado a ele. Por isso, também é difícil identificar que existe um prazer nas repetições negativas, quer seja movido pela esperança mágica de mudar o passado ou de forçar o mundo a dar o que você acha que merece. ” Prem Baba

Quando entendemos que esta pequena palavra pode ser positiva, muitas coisas começam a mudar. Pois a vida está aí para ser vivida e apreendida em seus ‘sins’ e seus ‘nãos’. Sempre em busca de um caminho melhor, mesmo que seja o que nós não esperávamos!