Mãos Estendidas

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Lá estava um corpo estendido no chão, não parecia um homem, mas um saco de lixo preto no meio da rua. Esta foi a descrição de um amigo sobre a imagem que viu um dia desses a noite em uma rua agitada da cidade. Os carros passavam e desviavam, o ônibus quase passou por cima. Ele resolveu saltar do carro e ir até o suposto saco de lixo para tirá-lo do caminho e não acontecer nenhum acidente. Para sua surpresa não era um saco, era um homem bêbado e acordado.

Assustou-se com o olhar perdido do homem, parou o transito, pegou ele no colo e o sentou no meio fio e perguntou: O que você estava fazendo ali? É a minha única saída, respondeu o homem. As pessoas do ponto de ônibus assustadas, não com a miséria e escolha do pobre homem, mas com a atitude compassiva do meu amigo. Com olhar afiado para a pobreza, a miséria, a descriminação, a falta de solidariedade, descriminaram não a sarjeta, mas sim o gesto solidário.

Quantas vezes nas ruas da cidade você deixa de ajudar ou olha com descriminação e preconceito para aqueles que julga menos¿ Quantas vezes você deixa de estender a mão para um desconhecido¿ A miséria, a pobreza, a necessidade está por todos os lados e urge resoluções urgentes, humanas. É necessário atentar para o outro, para o do lado, para os que cruzam seu caminho pela cidade. Precisamos voltar a crer que é junto que se constrói algo, ir no sentido contrário desta sociedade egocêntrica que enfatiza o indivíduo. Precisamos do coletivo, ou entendemos que nos salvamos todos ou vamos todos para o mesmo buraco.

O homem do meio do caminho, que parou a vida do meu amigo por apenas alguns minutos, contou que fora expulso da comunidade em que vivia, sem dinheiro e nem roupa. Ganhou um prato de comida, uma camiseta que havia no porta malas, a indicação de um albergue para ele se abrigar e um trocado para o café do dia seguinte. Ganhou olhares tortuosos das pessoas do ponto de ônibus, ganhou. Mas o que transformou a sua “única de saída” foi uma mão estendida sem preconceito.

Em tempos políticos de promessas arremessadas ao vento, de coligações gelatinosas, as mãos estendidas estão todas por ai. Atente ao gesto, elas podem estar estendidas para te pedir e não para te dar. O nosso lindo e rico país, construído por bravos brasileiros, precisa de mãos fortes que solidifiquem construções que visem o ser humano e seu grande coletivo. Se continuarmos a olhar para o nosso país, como homem no meio da rua atrapalhando o transito e não pararmos para acreditar que este homem tem possibilidades, não teremos saída, seremos atropelados.

GH