Invisível aos olhos

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Neste mês estreou mais uma temporada da serie "Apartamento 302" do fotógrafo Jorge Bispo, no qual tive a oportunidade de contar um pouco da minha história. No momento que surgiu o convite para fazer o episódio e a possibilidade de posar nua novamente, confesso fiquei na dúvida. 

Eu já havia posado para o projeto em 2011, quando era apenas a ideia de um livro. Com esta retomada seis anos anos depois fiquei pensando o porque de estar ali novamente. Fui me vasculhar e me encorajei por ter passado por algumas transformações nestes anos e achei que com esta nova fase do projeto eu poderia contribuir. E para a minha grata surpresa a contribuição foi além das minhas expectativas. 

Após uma longa entrevista sobre todos os assuntos da vida com a produção, permeado por resiliência, superação, frustrações, recuperações, aceitações, o dia de gravação foi surpreendente. Na maioria das vezes que falamos sobre nós mesmos é que entramos em contato com as nossas sombras e nos revemos. Lá estava eu falando das mazelas e dificuldades de me estabelecer neste mundo como artista e mulher.  Sai florescendo.

Quando o episódio foi ao ar na semana passada fiquei surpresa. A delicadeza da edição, o cuidado de colocar uma das minhas poesias que também contam sobre mim, as escolhas no discurso e as imagens do segundo ensaio com o Bispo. Tudo tão delicado que ultrapassa a nudez e comunica o que veio fazer, questionar as imposições de padrões e nossas violências diárias para nos adequarmos a eles. 

Por conta deste discurso coletivo sobre o feminino eu tive um retorno surpreendente após ir ao ar. Muitas mulheres me escreveram se identificando com as frustrações e superações, identificadas por esta busca incessante pelo que está fora, a forma imposta pelo mundo, longe de qualificar o de dentro. Foram recados nas redes sociais agradecendo por ajudar a mudar o próprio olhar. Com isso senti que este trabalho fora além, ultrapassou a minha história, tocou a histórias destas mulheres que também se disponibilizaram a pensar sobre si. 

Quando isso acontece sinto que o que eu escolhi como profissão, o que eu escolhi para comunicar faz sentido, vai além. Escolhi artes cênicas porque sempre acreditei que é uma forma de comunicação para transformar o mundo. 

Fica aqui para você o link para assistir o episódio: 

Esta é a poesia na íntegra:

 

Não sou mulher de Athenas

January 29, 2017

 

NAVEGO PELOS MARES DE NETUNO

SEM REDE

NÃO SOU ISCA DE PEIXE PEQUENO

ME GUIO PELA ROSA DOS VENTOS

VELAS ASTIADAS

ASAS LAVADAS

 

NÃO SOU MULHER DE ATHENAS

SOU ESPARTANA

FILHA DO METAL MAIS FOSCO 

REVESTIDO DE AÇO MAIS RELUZENTE

 

NAVEGO PELOS MARES DE NETUNO

COMO NAVEGO PELAS MINHAS SOMBRAS, SOLIDÃO, DESEJOS, AMORES

 

ARISCA, LASCIVA, OBSTINADA A SER 

SER SEM IMPOSSIBILIDADES

NAVEGAREI PELO MAR DE NETUNO ATÉ A MINHA PASSAGEM ETERNA

EM MEIO A UMA GRANDE TORMENTA DE MAR REVOLTO PARA

O REINO SEM FIM DAS ÁGUAS CLARAS.

gh

 

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