Conselho Tutelar — Denuncia e Opinião!

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Mas uma temporada termina! Mais cinco episódios de Conselho Tutelar gravados com muita atenção, tensão, carinho e opinião. Pelo que depende de mim, sim. Opinião! Uma temporada recheada de emoções, histórias, denuncias, fragilidades, incoerências. Assim como é a vida real de todos estes casos verídicos que contamos. As vezes até um pouco camuflados pela ficção, por que, nessas histórias a vida real é mais cruel. 

Uma temporada que vem denunciar a pedofilia, da classe A a Z. Os pequenos poderes que corrompem o poder público e o impede de defender as crianças, as burocracias, as demoras, os nãos! O drama familiar quando se descobre que esta violência é “acariciada” por um pai, um padrasto, um avô, o irmão mais velho. Pedofilia é um bicho que corroê o ser humano por dentro, aniquila a psique da vítima e faz de refém uma família alvoroçada pelo tabu do sexo. 

Nos dias de gravação, os textos decorados tudo ás vezes parece só cena. Mas quando parávamos para pensar o fato em si, a cena real em si, não havia quem não se comovesse. Com isso nos mobilizamos mais do que normalmente, nós veículos de transformação, nos afetamos anormalmente. Foi ai que apareceu a moça R. Preservo o nome dela porque as coisas ainda estão em andamento, se é que estão! 

R. tem uma história de pedofila em casa, onde o ex marido abusa dos dois filhos. O bebê de dois anos, quando ela levou ao pediatra, que questionou: “mãe, o bebê está com muita fissura anal, ele faz muita força para evacuar?” e prontamente o pai respondeu: “muita doutora”. Passou um tempo até acontecer uma denuncia anônima pelo Disque 100, ela não desconfiava.

R. foi a delegacia sem saber o porque e muito menos quem havia feito a denuncia, logo ela uma mãe tão atenta e acolhedora. Interrogada não sabia o que falar, até que seu primeiro filho de 13 anos pede para depor e sobre o abuso feito pelo seu padrasto. A casa de R. caiu! Ela foi falar para o então marido, que a agrediu com uma faca nos pescoço e logo depois disso se separou. E era só a abertura da porta do inferno. 

Ela chegou até a gente, preparadores e elenco da série, implorando ajuda. Pois ela há 3 anos corre atrás de ajuda do poder publico e não consegue. Sabe porque? Há um vício no sistema e ela é humilde, mora em área de risco e “não tem voz”. Mas nós escutamos seus gritos no silêncio. Ela chega na hora certa em que estamos contando a mesma história, a mesma doença familiar, nos ajuda a achar os personagens e o drama real que reverbera nos atores que se emprestam para isso. 

Nessa temporada o caso igual ao dela acontece numa família de classe alta, onde o agressor e pedófilo manipula tudo com dinheiro e poder. E aqui chegamos a um descompasso social. Dois casos iguais estacionados judicialmente, um por falta de dinheiro e outro por excesso de dinheiro, e ambos com exercício de poder. 

Conselho Tutelar vem em breve para colocar dedo na ferida e quem sabe dar voz as milhares de casos diários que ocorrem ao nosso lado e são velados pela “honra” familiar. Nossa querida R., já que ela nos ajudou artisticamente, nós seguimos tentando ajudar, estamos procurando um advogado criminalista que abrace a causa dela, uma assistente social para ampará-la, que neste caso a Lídia não pode ajudar, e psicóloga para as crianças. E o caso dela é só mais um em milhões, se não dentro da sua casa, mas na casa do vizinho! 

São trabalhos como este, o que ele germina, que entendo meu oficio, para que serve e a quem ele serve. Somos ou pelo menos deveríamos ser ferramentas de comunicação, denuncia, transformação, reflexão. Uma série como esta tinha que estar no ar toda semana um episódio, pois infelizmente são muitas histórias para contar.

E finalizo com a frase que nosso conselheiro Hebinho sempre friza: “ouçam as crianças, com elas está a verdade”! 

Que venha esta terceira temporada! Que prazer fazer parte disso! Obrigada. 

GH