Diversidade começa em casa

Como começar esta crônica pós-páscoa sem querer falar de páscoa? A antena intuitiva toda vestida de pelúcia com duas grandes orelhas dando voltas circulares e quando vê, se está dentro de um grande ovo das ideias coberto de laminado colorido. Por todos os lados famílias de coelhos enormes, brancos, amarelos, marrons, nas ruas a assustar o pedestre distraído. As atendentes do aeroporto de orelhas brancas, cada uma do seu jeito, mas unificadas pelas “orelhas intuitivas”.

Os coelhos também são diversos, pensei. Como nós? Sim, como nós! E o melhor lugar para se observar e constatar esta grande diversidade é sim numa reunião familiar, durante a páscoa quem sabe! A educação e orientação do olhar sobre o diferente começa em casa e desde pequeno. Identificamos rapidamente o mais engraçado, o mais tímido, o sacana, o careta, o chorão, o mais despachado, o conservador, o mais feminino, o mais maluco. Por inúmeras características físicas e de personalidade diferenciamos nossos familiares, desde que nascemos.

E aí está à questão, será que não é dentro de casa que devemos aprender sobre diversidade? Aprender a identificar as características do outro, sem julgamento e rótulos, respeitar e conviver com elas? Diversidade não se aprende em casa? A rua não deveria ser a extensão do respeito e educação apreendido? Mas o “coelhinho feio” é excluído dentro do próprio núcleo familiar. 

As características viram rótulos, os rótulos geram diferenças, diferenças geram preconceitos e por consequência discriminações. E isso começa dentro da família e vaza como represa rompida por mundo a fora. Irmãos que não se aceitam, pais e filhos brigados, primos que se odeiam. E outras diversas combinações de conflitos familiares por falta de respeito sobre a diferença do outro que dorme no quarto ao lado. É preciso ir à raiz do seio familiar para entendermos nossos passos.

Eu fui pra perto da minha “coelhada” que sempre em ensina coisas, me fortalece laços, reforça amores, reaviva as diferenças e me faz sentir em casa. Estar com a família e se lembrar de como você foi educado, se suas diferenças foram respeitadas ou descriminadas, o que isso te transforma ainda hoje, é sempre um bom jeito de recolocar seu olhar para o mundo, de se recolocar no mundo, de renascer.  Não falei que era difícil não escrever sobre a páscoa? 

GH

texto com direitos reservados

Imagem Gregory Crewdson

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