SENTINELA

blog da gaby

Tenho ficado atenta aos dias para garimpar conteúdo para estes colóquios. Vou anotando tópicos e questões. Recorro ao caderno para escrever esta crônica e vejo que a grande maioria das anotações está ligada a tragédias, desgraças, perdas, catástrofes. O mundo está febril e aponta mais que uma virose diz o estagiário de plantão! Está nos exigindo atenção de mãe sobre leito de filho adoentado, atenção não só a questões que nos compadecem, mas, também, para não deixar nublar a delicadeza emprestada pelos singelos momentos de felicidade.

Veio então a palavra ‘Sentinela’ à cabeça. Entre os seus significados: indivíduo que guarda ou vela sobre algo; ato de guardar, vigiar ou espiar. E pergunto: o quanto, hoje, temos que ser sentinelas? Vigiar-nos nas ruas? Nos guardarmos de algumas situações? Espiar nossos atos para que não se tornem manipulados por este mundo tão maluco? Estamos em plena vigília de nós mesmos, mas creio que é preciso refletir até onde ela é prisional ou libertadora.

Este sentinela tem que aprender a colocar e atirar sua armadura na hora certa. E aí é que está o desafio. Sair às ruas, observar os movimentos para não ser assaltado, não entrar em uma briga no trânsito, não julgar o cidadão ao lado, não ter atitudes bélicas, requer uma armadura, olhos atentos que devem ser retiradas ao primeiro passo dentro da nossa casa! Porque, dentro das nossas casas, devemos ser completamente desarmados. Sei que, muitas vezes, não conseguimos, mas é disso que se trata.

Deve haver, sim, o lugar onde o sentinela é desnudado, amaciado, penetrado, onde sua essência é entregue para a transformação. Onde é este lugar? Aí, a busca é individual! Se é na floresta, no mar, no colo da mãe, nos braços do amor, no pôr-do-sol, descendo a ladeira de bicicleta com o vento no rosto, na multidão, na meditação. Porque pode ser na multidão. Mandela, um grande sentinela destes dois séculos, se desnudou, fragilizou-se e se fortaleceu diante da multidão. Onde é o seu lugar? Ai é mesmo a busca de cada um, com seus pequenos e grandes desnudamentos.

Para este mundo febril precisamos estar saudáveis e fortes dentro dele. Está claro os movimentos de transformações, de quebra de paradigmas, de mudanças profundas de pensamentos e crenças. Quem está atento já vem tentando ao menos se provocar diante aos novos boletins médicos. Mas aqueles que nem se quer saíram de si, saíram do seu quadrado, do seu umbigo e estão dentro da virose do mundo, até estes temos que ser sentinelas mediante suas cláusulas verborrágicas de verdades voláteis.

Fiquemos atentos a temperatura da febre do mundo, acompanhe, se acompanhe, sentinele-se!  

GH

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CrônicaGaby Haviaras