Onde está a poesia no seu dia?

BLOG DA GABY

Eu cheguei da rua agora, transpassada pelo caos de uma grande capital e lembrei de versos: “de vez em quando Deus me tira a poesia”. Nos jornais do dia inteiro só pedaços de gente, roubo, aumento de impostos, ou seja, nada novo! Pelas ruas? Horas de transito, má educação. No correr dos dias sempre procuro algo que me inspire a falar, escrever, questionar neste espaço. Mas este assunto de caos no mundo já está repetitivo. E me pergunto, onde está a poesia? Onde ela está no seu dia?

Desgrudo as gosmas da exaustão e me jogo no sofá o que resta deste corpo cansado, ligo a televisão e sou assaltada pela entrevista de Adélia Prado num programa e “a poesia me pega com sua roda dentada”! Tudo faz sentido! Adélia, mulher, mineira de Divinópolis, 80 anos, de fala simples e sincera me dá aula de vida. Os ilustres convidados, pomposos em suas perguntas são derrubados pela poesia em mulher, que fala de religião, amor, sexo de um lugar tão singelo que faz transformar o instante. Ela lê seus versos e se emociona ao vivo e embargada completa: “não posso trair meus sentimentos, o poema nasce de uma emoção”.

Poesia ao vivo? Emoção ao vivo? A verdadeira idade traçada nas linhas do seu rosto? Gente sem medo de mostrar que é gente? Será que um pouco de poesia, verdade, emoção, gente com gente não melhoraria nossos dias? Mais cinema, mais conversa olho no olho, piquenique com violão, um colo? As farmácias ficariam mais vazias e as livrarias mais cheias? Os cirurgiões plásticos tirando férias? Bancos de praças cheios de pessoas com blocos e lápis rascunhando versos? A sabedoria e serenidade dando aula nos rosto dos nossos anciões? Há um fio de poesia nestas respostas!

A poeta me inspira vida e dá sentido e direção ao meu dia! Ela me tira o medo do tempo e o que a idade irá trazer! Me encoraja a ter rugas,  historias para contar e que sempre há tempo para escrever um livro! Encontrei com ela em 2010 em versos e pessoalmente em 2013. E me reencontro toda vez que entro em cena no espetáculo que leva seu nome e presenteia com seus versos. Ela me traumatiza, me recoloca em mim mesma, um espelho atemporal das minhas idades e fases.

Em dias em que você é transpassado pelos caos, pelo cinza escasso de luz, pelos sentimentos menos generosos para com você e com o mundo: Ore! Adélia diz: “ler poesia é orar!” Ore com Drummond, Quintana, João Cabral, Manuel de Barros, Cecília Meirelles e tantos outros que aqui estão “passarinho”!

Fica a Dica:

- Vale a pena assistir esta entrevista, foi no Roda Viva da TV cultura. Já deve estar on line.

- Deixo aqui o link do nosso espetáculo ADÉLIA, no dia que apresentamos em Divinópolis e ela estava na plateia.

https://www.youtube.com/watch?v=DHkN6v9xmHI&index=18&list=PL626CC5261D61F824

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